Inicialmente, esclareça-se que ecossistema é o termo utilizado para definir um grupo de seres que habitam em um determinado local, as relações entre eles, e a interação destas comunidades com o ambiente em que vivem, fato que ocorre em muitos meios, seja aéreo, aquático, regiões geográficas etc.
Nessa abordagem interessante, apontamos o ecossistema aquático, de água doce e de água salgada, tão presentes no planeta. No de água doce, mais pertinente à nossa região – Centro-Sul cearense-, marcado pela presença de açudes, lagoas, rios, riachos, que, embora não perenes abundam na quantidade de vida que abriga, tais como peixes, insetos, flora peculiar, matas ciliares, plantas aquáticas, aves, anfíbios, répteis e outros, além da flora (composta muitas variedades).
Iniciando pelos peixes, fonte de alimento e de economia. Os de água doce, constituem um grupo diversificado e numeroso que desempenham um papel importante no ecossistema, fundamentais para a manutenção do equilíbrio ecológico e da biodiversidade. Nesse aspecto, não se pode olvidar de identificar a inserção de espécies exóticas nas águas, as que são introduzidas em locais fora da sua área de distribuição original, situação que requer necessário planejamento para evitar que outras espécies sejam prejudicadas, inclusive, as espécies exóticas invasoras têm sido apontadas com uma das principais causas de perda de biodiversidade no mundo e podem ocasionar diversos problemas nos ecossistemas, alterando processos e interações ecológicas, como predação e competição por alimento, por espaços e por locais de reprodução.
No Brasil, estudos vêm demonstrando que a prática piscicultora crescente da criação de espécies exóticas em algumas regiões tem causado diminuição da riqueza da ictiofauna nativa e a homogeneização da biota aquática. Além disso, as espécies do tipo invasoras são capazes de causar danos econômicos diversos, e ainda problemas à saúde humana e à de outros animais.
Apesar disso, nem todas as nações e governos têm investido em políticas adequadas para combater esse problema, muitas vezes persistindo no estímulo a práticas reconhecidamente desfavoráveis ao planejamento, à prevenção, ao controle e à erradicação das espécies exóticas invasoras.
No Brasil, a Tilápia do Nilo, proveniente da Costa do Marfim no Oeste africano, foi introduzida no Nordeste em 1971 e, então, distribuída pelo país. Essa espécie e algumas tilápias vermelhas híbridas são as mais cultivadas no país e embora de vasta importância econômica é bastante destrutiva para a biodiversidade, diga-se, de passagem, ser um dos peixes mais predadores.
Em relação à preservação do ecossistema aquático, com ênfase no de água doce, saliente-se a falta de conhecimento tanto por parte da maioria dos produtores que usam águas represadas (açudes, lagos e lagoas) para irrigação e consumo doméstico, como ribeirinhos que não atentam para a necessidade de preservar os rios, as matas ciliares, tudo o que possa comprometer a salubridade ambiental e garantir qualidade de vida aos humanos que, numa relação de estreita e inarredável interação.
Por fim, é salutar que desenvolvamos hábitos de correção, proteção e alerta, de conscientização para que nos próximos anos possamos ainda contemplar a integridade dos ecossistemas, evitando mudanças que alvejarão a saúde humana e dos outros animais, mantendo a boa qualidade das águas e as vidas que esse ambiente suporta, luta que não pode ser preterida, adiada, em busca de conhecimento e difusão do preservacionismo ambiental.
Maria Lopes de Araújo.
Servidora Pública Federal aposentada- IFCE. Escritora (cronista, contista e poetisa). Licenciada em Letras pela UECE. Bacharel em Direito pela URCA. Advogada atuante e cidadã comprometida com a causa ambiental, com ênfase na preservação integral da caatinga.